FGC deve requerer um aporte antecipado dos bancos no fundo após o caso Banco Master
🏦 A crise que abalou um banco e chocou o mercado
Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após uma forte crise de liquidez e indícios de irregularidades na gestão que prejudicaram a capacidade da instituição de honrar seus compromissos.
Pouco depois, em janeiro de 2026, o Banco Central também decidiu pela liquidação da Will Financeira S.A. (Will Bank), controlada pelo mesmo grupo — ampliando ainda mais o impacto financeiro.
Junto a essas medidas, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal autorizaram diligências em investigações ligadas ao caso, incluindo o congelamento de bens de pessoas envolvidas, como parte de apurações sobre fraude e gestão indevida no banco.
📊 O papel do FGC e os pagamentos a credores
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é um mecanismo que protege depositantes e investidores quando uma instituição financeira não consegue pagar seus credores. Ele cobre, por exemplo, aplicações como conta corrente, poupança e títulos de renda fixa (CDB, RDB, LCI/LCA), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por conglomerado.
Após a liquidação do Banco Master, o FGC começou a ressarcir clientes com direito à garantia:
Mais de R$ 26 bilhões já foram pagos a cerca de 520 mil credores, o que representa aproximadamente 67% dos valores estimados devidos pelo Master.
O total previsto para cobrir as garantias do Master é cerca de R$ 40,6 bilhões líquidos.
Somando-se os valores da Will Financeira, o montante que o fundo terá de desembolsar chega a cerca de R$ 47 bilhões, ou quase 40% do caixa total disponível do FGC.
Os pagamentos são feitos mediante um processo em que o liquidante e o Banco Central consolidam as informações dos credores, e depois o FGC processa os repasses.
💸 Por que o caixa do FGC ficou “mais magro”
Antes dos eventos recentes, o FGC vinha acumulando liquidez significativa para garantir resgates em situações de estresse econômico. Em meados de 2025, os recursos líquidos disponíveis somavam cerca de R$ 121 bilhões.
Com os pagamentos decorrentes da liquidação do Master e Will Bank, o fundo utilizou uma grande fatia desse caixa — levando o volume aplicado a níveis que ficam abaixo do patamar mínimo de referência do próprio fundo.
Isso significa que, embora o FGC ainda tenha recursos, eles estão mais próximos do limite mínimo considerado prudente pelos reguladores, e precisam ser reforçados para que o fundo esteja em posição de enfrentar novas crises.
🛠️ Como será feita a recomposição do caixa do FGC
Para restaurar seu nível de liquidez, o FGC tem várias ferramentas previstas em seu estatuto — e os bancos associados serão os principais responsáveis pela recomposição dos recursos.
📌 1. Adiantar contribuições futuras
O FGC pode solicitar que os bancos associados adiantem contribuições de até 60 meses (equivalente a 5 anos). Essa medida permitiria um aporte imediato de cerca de R$ 30 bilhões, fortalecendo o caixa do fundo sem alterar a alíquota de contribuição mensal.
📌 2. Contribuições extraordinárias
Além do adiantamento, o fundo pode instituir contribuições extraordinárias, que seriam pagamentos adicionais dos bancos associados com o objetivo de recompor rapidamente os recursos.
📌 3. Alterações regulatórias
Em 22 de janeiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças nas regras do FGC. Entre as principais alterações estão:
Permissão explícita para propor aumentos ou reduções nas contribuições das instituições associadas, a serem avaliadas pelo Banco Central e decididas pelo CMN.
Estabelecimento de um prazo máximo de até 3 dias úteis para início dos pagamentos de garantias após recebimento formal dos dados dos credores.
Maior alinhamento às melhores práticas internacionais de fundos de garantia.
Essas mudanças não alteram os pagamentos já efetuados ou em andamento, mas dão mais flexibilidade ao fundo para se preparar para eventos futuros.
🤔 O que isso significa para o sistema financeiro?
⚖️ Sem risco sistêmico generalizado
Especialistas e fontes que acompanham o setor indicam que o caso não representa um risco sistêmico grave ao sistema financeiro brasileiro — ou seja, não há uma crise generalizada de confiança ou solvência que afete todo o setor bancário.
📈 Impacto nos bancos
Os bancos associados ao FGC serão chamados a aportar recursos maiores, o que pode impactar suas despesas e margens. Em geral, custos maiores de garantia podem, no longo prazo, influenciar a precificação de produtos e a remuneração oferecida a investidores.
⚠️ Confiança dos investidores
O episódio sinaliza ao mercado a importância de avaliar a solidez institucional das instituições nas quais se investe. Apesar de o FGC cumprir seu papel de garantia, o caso do Master pode fazer investidores — especialmente os menos experientes — refletirem mais sobre risco e diversificação.
🧠 Conclusão
O caso do Banco Master e da Will Bank se tornou um dos maiores testes já enfrentados pelo Fundo Garantidor de Créditos no Brasil. O FGC está cumprindo seu papel ao proteger credores, mas o volume extraordinário de desembolsos exigiu que o fundo use parte significativa de seu caixa.
Agora, a tarefa é repor esses recursos com o apoio dos bancos associados, utilizando mecanismos como antecipação de contribuições e eventuais aportes extraordinários, fortalecendo o fundo para o futuro e mantendo a confiança no sistema financeiro.



