Banco do Brasil Globaliza o Pix: Argentina é o Primeiro Passo da Expansão Internacional
Por Redação Allocationbr | 09 de março de 2026
O cenário de pagamentos transfronteiriços na América Latina acaba de sofrer uma disrupção histórica. O Banco do Brasil (BB) lançou oficialmente na última sexta-feira (6 de março de 2026) a funcionalidade que permite o uso do Pix na Argentina. A medida não apenas facilita a vida de turistas, mas sinaliza uma nova fase na estratégia de internacionalização do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
A Estrutura da Operação: BB e Banco Patagonia
A viabilização do Pix em solo argentino é fruto de uma integração tecnológica entre o Banco do Brasil e o Banco Patagonia, instituição argentina controlada pelo conglomerado BB (que detém cerca de 80% de sua participação).
Diferente de soluções de carteiras digitais isoladas, esta funcionalidade utiliza APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) para conectar o ecossistema do Banco Central do Brasil diretamente ao sistema de liquidação argentino, em parceria com a Coelsa (Câmara de Compensação Eletrônica da Argentina).
Como Funciona na Prática
A experiência para o usuário brasileiro foi desenhada para ser idêntica à utilizada no mercado doméstico:
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QR Code: O lojista argentino gera um QR Code em sua máquina de cartão ou dispositivo móvel.
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Escaneamento: O cliente utiliza o aplicativo de qualquer instituição financeira brasileira (não apenas do BB) para escanear o código.
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Conversão e Transparência: Na tela de confirmação, o usuário visualiza o valor em pesos, a taxa de câmbio aplicada e o valor final em Reais, já com a incidência de IOF.
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Liquidação: O débito ocorre em tempo real na conta do brasileiro (corrente ou poupança), enquanto o comerciante argentino recebe o crédito em moeda local.
Análise de Mercado: Por que a Argentina?
A escolha da Argentina como “ponta de lança” para o Pix no Exterior é estratégica. Dados recentes mostram que o Pix já é utilizado por 7 em cada 10 turistas argentinos que visitam o Brasil. Ao inverter o fluxo, o Banco do Brasil atende a uma demanda reprimida de brasileiros que buscam fugir das altas taxas de saque internacional e da burocracia das casas de câmbio.
Para o investidor, vale notar que essa movimentação fortalece a receita de serviços do Banco do Brasil através do float cambial e das taxas de transação, além de consolidar o protagonismo do banco na integração financeira do Mercosul.
O Próximo Passo: Expansão Global
O presidente-executivo do Banco Patagonia, Oswaldo Parre, e a cúpula do Banco do Brasil já confirmaram que a Argentina é apenas o início. O roteiro de expansão para 2026 e 2027 já está em estudo para:
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Américas: Expansão para Uruguai e Paraguai.
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Europa e Ásia: Foco em países com grande fluxo de turistas e comunidades de brasileiros, como Portugal, Itália e Japão.
Insight Allocationbr: A exportação da tecnologia do Pix coloca o Brasil na vanguarda das fintechs estatais. Enquanto a União Europeia discute a criação de um sistema unificado, o Brasil já opera na prática a integração regional, reduzindo a dependência de bandeiras internacionais de cartões (Visa/Mastercard) em transações de vizinhança.



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