Alcântara sob Investigação: O que causou a explosão do HANBIT-Nano e quais eram as missões brasileiras perdidas
O setor aeroespacial brasileiro viveu uma noite de contrastes nesta segunda-feira (22). O que começou como uma celebração histórica do primeiro lançamento orbital comercial em solo nacional terminou em uma nuvem de destroços. O foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da empresa Innospace, sofreu uma anomalia catastrófica pouco mais de um minuto após a decolagem, colidindo com o solo dentro do perímetro do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
Abaixo, detalhamos os objetivos científicos que estavam a bordo e as frentes de investigação técnica que tentam explicar o incidente.
🛰️ As Missões Perdidas: O que o Brasil levava ao espaço?
O HANBIT-Nano transportava oito cargas úteis, sendo cinco satélites e três experimentos tecnológicos. Entre eles, o destaque era o protagonismo das universidades brasileiras:
FloripaSat-2A e 2B (UFSC)
Desenvolvidos pelo laboratório SpaceLab da Universidade Federal de Santa Catarina, esses nanossatélites representavam o ápice de anos de pesquisa.
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Objetivo: Validar em órbita uma plataforma de satélite 100% desenvolvida no Brasil.
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Tecnologia: Iriam testar sistemas de comunicação via LoRa (baixo consumo de energia) para Internet das Coisas (IoT), fundamentais para conectar sensores em áreas remotas.
Jussara K e PION-BR2 (UFMA)
Projetos da Universidade Federal do Maranhão que levavam a ciência para perto da comunidade local.
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Objetivo: Coleta de dados ambientais (temperatura, umidade e monóxido de carbono) para monitoramento de queimadas e preservação de florestas e lagoas no Maranhão.
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Carga Simbólica: O PION-BR2 levava mensagens de áudio de alunos da rede pública de Alcântara, visando aproximar as comunidades quilombolas da atividade espacial.
Sistema de Navegação Inercial (SNI-GHSS)
Um experimento de tecnologia nacional desenvolvido para testar a precisão de navegação em condições reais de voo orbital, visando autonomia tecnológica para futuros foguetes brasileiros.
🛠️ Causas Técnicas: O que deu errado?
Embora a FAB e a Innospace tenham iniciado uma perícia rigorosa, os dados de telemetria e o histórico dos adiamentos anteriores apontam para três suspeitos principais:
Falha no Sistema de Alimentação de Oxidante
Nos dias que antecederam o lançamento, a missão foi adiada devido a uma anomalia na unidade de resfriamento do sistema de alimentação de oxidante do primeiro estágio. O HANBIT-Nano utiliza um motor híbrido (combustível sólido + oxidante líquido). Se houve uma falha na pressurização ou uma nova anomalia nesse componente, o motor pode ter sofrido uma perda brusca de empuxo ou uma explosão interna.
Instabilidade Aerodinâmica no “Max Q”
O foguete apresentou oscilações críticas por volta de T+45 segundos, aproximando-se do ponto de Máxima Pressão Dinâmica (Max Q). Esse é o momento de maior estresse estrutural, onde a resistência do ar e a aceleração atingem o pico. Uma falha no sistema de vetoração de empuxo (que direciona o bocal do motor) teria impedido o foguete de manter a trajetória vertical, levando à desintegração estrutural sob a força do vento.
Problemas de Processamento de Sinais
O primeiro adiamento da missão (em novembro) ocorreu por problemas no “processamento dos sinais coletados do veículo”. Se o computador de bordo falhou em processar os dados dos giroscópios ou acelerômetros em tempo real, o sistema de controle pode ter emitido comandos de correção errados, causando o “sobrecomando” que levou à queda.
📊 Ficha Técnica da Operação Spaceward
| Categoria | Especificação |
| Veículo | HANBIT-Nano (22 metros / 30 toneladas) |
| Empuxo | Motor híbrido de 25 toneladas |
| Ponto de Falha | Aproximadamente T+70s (fase de curva gravitacional) |
| Danos | Perda total da carga; infraestrutura da base preservada |
| Investigação | Liderada pela Innospace com apoio do DCTA/FAB |
🚀 O que esperar do futuro?
Apesar do revés, o CEO da Innospace, Kim Soo-jong, pediu desculpas e reafirmou o compromisso com a base brasileira. Para o Brasil, o sucesso da operação foi logístico: a base de Alcântara provou que seus protocolos de segurança funcionam, isolando a área de impacto e garantindo que não houvesse feridos.
A investigação agora foca na recuperação da “caixa preta” de dados para que a próxima tentativa, prevista para 2026, seja definitiva.





