São Martinho (SMTO3) Reporta Lucro Líquido de R$ 424,1 Mi no 3º Trimestre da Safra 2025/26
O grupo São Martinho S.A. (SMTO3), um dos principais players do setor sucroenergético brasileiro, apresentou um resultado expressivo no terceiro trimestre da safra 2025/26, reforçando sua relevância em um momento de elevada volatilidade nos mercados de commodities agrícolas e de energia. A companhia registrou lucro líquido de R$ 424,1 milhões, montante que representa uma alta de 168,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior, conforme divulgado em seu relatório de resultados nesta segunda-feira. O desempenho chama atenção não apenas pela magnitude do crescimento, mas também pelo contraste com indicadores operacionais que apontaram desaceleração, como receita líquida e EBITDA ajustado, evidenciando a importância de uma leitura mais ampla e cuidadosa dos números.
Inserido em um contexto marcado por oscilações nos preços do açúcar e do etanol, desafios climáticos que afetam a produtividade agrícola e decisões estratégicas de comercialização ao longo da safra, o balanço da São Martinho reflete tanto a capacidade de gestão financeira da companhia quanto as pressões estruturais enfrentadas pelo setor. O resultado positivo no lucro líquido foi influenciado por fatores contábeis e financeiros relevantes, ao mesmo tempo em que a empresa manteve foco em disciplina de capital, diversificação de receitas e otimização do portfólio industrial — elementos centrais para atravessar ciclos adversos e preservar rentabilidade no médio e longo prazo.
📊 Destaques Financeiros
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Lucro Líquido: R$ 424,1 milhões no trimestre, o que representa um aumento de 168,5% em relação ao mesmo período da safra anterior.
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EBITDA Ajustado: R$ 787,1 milhões, apesar disso, redução de 25,6% frente ao 3T da safra anterior.
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Receita Líquida: R$ 1,59 bilhão, com queda de 13,6% em comparação ao mesmo período da safra passada.
Esse conjunto de números mostra um cenário misto: crescimento expressivo no lucro líquido — influenciado por fatores contábeis e financeiros —, mas uma diminuição nas receitas e no EBITDA, que normalmente refletem mais diretamente a atividade operacional da empresa.
📈 Por Que o Lucro Cresceu Tanto?
Apesar do lucro líquido fortemente positivo, esse salto não foi acompanhado por forte crescimento das operações em si — ao contrário:
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A receita líquida caiu por causa de menores volumes vendidos de etanol e preços e volumes de CBIOs reduzidos, conforme explicou a própria companhia em seu relatório.
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A estratégia de comercialização da empresa optou por alocar maior volume de etanol para venda no quarto trimestre, buscando melhores preços no mercado.
Ou seja, parte da elevação no lucro pode estar relacionada à gestão de preços e reconhecimento contábil ao invés de um crescimento real nos volumes vendidos no trimestre.
📉 EBITDA e Receita em Queda: O Outro Lado da Moeda
O EBITDA ajustado — medida que exclui efeitos financeiros e fiscais e é usada para medir a geração operacional de caixa — recaiu 25,6% no trimestre, o que sugere que:
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Custos operacionais e margens ficaram mais pressionados;
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A receita líquida ter caído indica menores volumes comercializados e/ou preços menos favoráveis no trimestre.
Essa combinação aponta para um quadro em que o resultado contábil (lucro líquido) avançou fortemente, mas o negócio em si enfrentou desafios operacionais no período.
🔄 Comparativo com Trimestres Anteriores na Mesma Safra
Para entender melhor a evolução da São Martinho na safra 2025/26:
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No 1º trimestre, a empresa reportou um lucro líquido de cerca de R$ 62,8 milhões, com queda de cerca de 40,9% em relação ao mesmo período da safra anterior, e expandiu investimentos em projetos industriais, especialmente voltados para etanol de milho.
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No 2º trimestre, o lucro líquido foi de aproximadamente R$ 176,41 milhões, um recuo de 5,9% em relação ao mesmo período anterior, com a receita e EBITDA também registrando quedas — reflexo de condições climáticas adversas e menor rentabilidade do açúcar.
Esse histórico mostra que o 3º trimestre foi um ponto de inflexão no lucro líquido, embora ainda mantenha desafios operacionais evidentes.
🌾 Desafios de Mercado e Operacionais
O setor sucroenergético brasileiro, no qual a São Martinho é um dos principais players, enfrenta uma série de fatores que impactam seus resultados, tais como:
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Clima: condições climáticas adversas, como seca prolongada, podem reduzir a produtividade da cana-de-açúcar, influenciando diretamente a moagem e os volumes processados.
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Precificação de Commodities: os preços internacionais e domésticos do açúcar e etanol flutuam de acordo com oferta e demanda global, políticas de biocombustíveis e dinâmica de mercados.
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Estratégias de Comercialização: decisões de timing de vendas e hedge podem impactar tanto receita quanto reconhecimento contábil de resultados.
🪙 Diversificação e Iniciativas Estratégicas
Embora os resultados operacionais do trimestre mostrem algumas quedas, a São Martinho não tem ficado estática:
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A companhia já anunciou investimentos em expansão de produção de etanol de milho, com parte desse capex planejado já refletindo nos balanços mais recentes.
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Segmentos como energia elétrica, levedura e DDGS (subprodutos do processamento de cana) têm apresentado desempenho interessante em outros trimestres, ajudando a diversificar as fontes de receita.
📌 O Que Isso Significa para Investidores
O resultado divulgado no 3T26 — com lucro líquido bastante elevado, mas queda nas principais métricas operacionais (receita e EBITDA) — merece uma análise cuidadosa:
✔️ Ponto positivo
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Capacidade de gerar lucro mesmo em cenário desafiador;
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Estratégias de comercialização podem maximizar retornos em momentos de preço favorável.
❗ Ponto de atenção
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Queda de receita e EBITDA mostra que o negócio pode estar enfrentando pressões de mercado e operacionais;
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Performance sazonal e timing de vendas podem distorcer indicadores quando analisados isoladamente.
Em resumo, o resultado do 3T da safra 2025/26 da São Martinho mostra aspectos positivos no lucro contábil, mas que precisam ser interpretados dentro do contexto mais amplo do setor e das operações da companhia, especialmente olhando para métricas como EBITDA, receita e produção.


