Bitcoin como Solução: Engie Estuda Mineração em Usina Solar após Cortes Bilionários de Energia
Por: Redação [Allocationbr], 25 de Fevereiro de 2026
Em um movimento que sinaliza uma mudança estrutural na relação entre o setor elétrico e a economia digital, a Engie Brasil Energia (EGIE3) confirmou que avalia a instalação de centros de mineração de Bitcoin em seu maior complexo solar, o Assú Sol, no Rio Grande do Norte. O anúncio, feito pelo CEO Eduardo Sattamini, surge como uma resposta drástica ao desperdício massivo de energia gerado pelas limitações do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O Gigante Adormecido: O Problema do “Curtailment”
Inaugurado com um investimento de R$ 3,3 bilhões, o complexo Assú Sol tem capacidade para abastecer uma cidade de 850 mil habitantes. No entanto, a usina tornou-se um símbolo de um problema que atinge todo o setor renovável em 2026: o curtailment (corte forçado de geração).
Devido à infraestrutura limitada de transmissão e ao excesso de oferta solar durante o dia, o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem ordenado que usinas “desliguem” seus painéis para evitar a sobrecarga da rede. Em 2025, o desperdício de energia renovável no Brasil atingiu a marca alarmante de 20% do potencial de geração, gerando prejuízos bilionários para as companhias.
Mineração de Cripto: A “Bateria Digital”
A estratégia da Engie é transformar o prejuízo em ativo. Ao instalar mineradoras de Bitcoin no local, a empresa utiliza a energia que seria descartada para processar transações em blockchain, gerando receita em moeda digital.
“Não nos vejo investindo em nova capacidade solar até que se tenha uma solução para os cortes de geração”, afirmou Eduardo Sattamini, destacando que a empresa suspenderá novos projetos solares no Brasil por tempo indeterminado.
Além do Bitcoin, a companhia também estuda o uso de BESS (Battery Energy Storage Systems), baterias de larga escala que armazenam a energia solar para venda em horários de pico (noite), quando os preços são mais elevados.
Impactos no Mercado e Futuro dos Investimentos
A decisão da Engie acendeu um sinal de alerta para o governo brasileiro. O anúncio evidencia que a expansão das renováveis (solar e eólica) correu em um ritmo muito superior à modernização das linhas de transmissão.
Pontos-chave da crise:
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Prejuízo Setorial: Estimativas apontam que o setor elétrico “jogou fora” energia equivalente a dez meses de produção da usina de Belo Monte em 2025.
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Fuga de Capital: A suspensão de novos investimentos pela Engie pode desencadear um efeito cascata em outras gigantes do setor.
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Inovação Forçada: O uso de Bitcoin como “lastro” para energia excedente coloca o Brasil na vanguarda da integração entre infraestrutura pesada e criptoeconomia.
Prazo de Implementação
Embora os estudos estejam avançados, Sattamini alertou que a solução não é imediata. A previsão é que os primeiros data centers de mineração ou sistemas de baterias integrados ao Assú Sol entrem em operação em um horizonte de dois a três anos (2027-2028).
Até lá, a Engie foca sua estratégia de crescimento no setor de Transmissão, onde os retornos são mais previsíveis e menos dependentes da volatilidade do consumo diurno.
📊 Dados Técnicos para o Site:
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Complexo: Assú Sol (RN)
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Investimento Original: R$ 3,3 bilhões
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Status Atual: Operação comercial plena, mas afetada por cortes do ONS.
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Soluções em Estudo: Data Centers para Cripto e Armazenamento em Baterias.




