O “Novo Jogo” do Agronegócio Brasileiro Começa Agora
Por [Allocationbr], Publicado em 17 de janeiro de 2026
Após décadas de negociações e impasses diplomáticos, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia entra em uma fase decisiva de implementação. Para o Brasil, o agronegócio é o grande protagonista desta parceria, que promete abrir as portas de um mercado consumidor de 450 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo.
No entanto, o otimismo vem acompanhado de um aviso: a competitividade agora será medida pela sustentabilidade e pela rastreabilidade.
O Que o Agro Brasileiro Ganha com o Acordo?
A principal vantagem é a redução drástica das barreiras tarifárias, que historicamente encareciam o produto nacional no Velho Continente. Com o pacto, o Brasil ganha acesso a cotas de exportação com tarifas zero ou reduzidas para produtos que são a base da nossa balança comercial.
Os Grandes Vencedores:
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Carne Bovina e de Aves: O Brasil garantiu cotas de acesso significativas (99 mil toneladas para carne bovina e 180 mil para aves) com tarifas mínimas. A famosa “Cota Hilton” para cortes nobres terá tarifa zerada, o que deve aumentar a rentabilidade dos frigoríficos.
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Setor Sucroenergético: O etanol brasileiro, visto como peça-chave na transição energética europeia, terá cotas de importação sem impostos, o que impulsiona as usinas de cana-de-açúcar.
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Café Solúvel e Frutas: Diferente do grão cru, o café industrializado (torrado e moído) pagava taxas altas. O acordo zera essas tarifas em até quatro anos. Já as frutas frescas, como limão e melão, terão acesso imediato e livre de impostos.
O Desafio da “Barreira Verde”: Sustentabilidade é a Nova Moeda
Se por um lado as tarifas caem, por outro, as exigências ambientais sobem. O acordo incorpora cláusulas rigorosas baseadas no Pacto Verde Europeu (Green Deal) e na lei antidesmatamento da UE (EUDR).
O produtor brasileiro precisará provar, por meio de geotecnologia e satélites, que seus produtos não provêm de áreas desmatadas (mesmo o desmatamento legal) após dezembro de 2020. A rastreabilidade total deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição de sobrevivência no mercado europeu.
“O agro brasileiro já é um dos mais produtivos do mundo. O desafio agora não é produzir mais por hectare, mas provar a origem de cada quilo de soja ou carne que atravessa o Atlântico”, afirmam especialistas do setor.
O Lado Sensível: Concorrência e Defesa Comercial
Nem todos os setores comemoram. O acordo é de livre comércio, o que significa que o Brasil também abrirá seu mercado para produtos europeus.
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Laticínios e Vinhos: Produtores de queijos finos e vinhos do sul do Brasil devem enfrentar uma concorrência agressiva de rótulos franceses e italianos, que chegarão ao consumidor brasileiro com preços muito mais competitivos.
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Indústria de Defensivos: A harmonização de normas sanitárias pode pressionar o Brasil a rever o uso de certos defensivos agrícolas que são banidos na Europa, gerando custos extras de adaptação para alguns produtores.
O Que Esperar para 2026?
Com a ratificação avançando nos parlamentos europeus, 2026 será o ano da adaptação. Espera-se um aumento nos investimentos em tecnologia agrícola voltada para o monitoramento ambiental e certificações de carbono neutro.
O acordo UE-Mercosul não é apenas um tratado comercial; é um selo de qualidade. Se o Brasil cumprir as exigências, consolidará sua posição como a “fazenda sustentável do mundo”. Se falhar, corre o risco de ver as cotas bilionárias ficarem apenas no papel.





