Argentina Histórica:

País Supera Metas do FMI e Consolida Segundo Ano Consecutivo de Superávit

Por [Allocationbr], Publicado em 17 de janeiro de 2026

O governo argentino confirmou nesta sexta-feira (16) que o país encerrou o ano de 2025 com as contas públicas no azul pela segunda vez consecutiva. O anúncio, feito pelo ministro da Economia, Luis Caputo, marca a primeira vez desde 2008 que a Argentina consegue manter o equilíbrio fiscal por dois anos seguidos, consolidando a política de “déficit zero” como o pilar central da administração de Javier Milei.

Os Números da “Motosserra”: Superávit Acima do Esperado

A performance fiscal da Argentina em 2025 superou as projeções mais otimistas e as metas indicativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

  • Superávit Primário: O país atingiu 1,4% do PIB, totalizando aproximadamente 11,7 trilhões de pesos. Embora a meta nominal fosse de 1,6%, o governo superou o objetivo em termos de valores nominais em cerca de 1,3 trilhão de pesos, garantindo o cumprimento do acordo.

  • Superávit Financeiro: Mesmo após o pagamento dos juros da dívida, a Argentina registrou um saldo positivo de 0,2% do PIB (1,45 trilhão de pesos).

“A âncora fiscal é e será uma política de Estado. Não há crescimento sem ordem nas contas”, celebrou o presidente Milei em suas redes sociais logo após o anúncio oficial.


Inflação no Menor Nível em Oito Anos

O rigor fiscal já apresenta reflexos diretos no bolso do cidadão. A Argentina encerrou 2025 com uma inflação anual de 31,5%, o índice mais baixo desde 2017. Para se ter uma ideia da magnitude da queda, o país havia fechado 2024 com uma taxa superior a 117%.

Essa desaceleração permitiu que o consumo desse sinais de recuperação no segundo semestre de 2025, impulsionado pela estabilização dos preços e por acordos estratégicos, como o swap cambial de US$ 40 bilhões oficializado com os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump em outubro passado.


O Impacto Social: Pobreza em Queda

Apesar das críticas iniciais sobre o impacto dos cortes de subsídios em serviços como luz, gás e transporte, os dados oficiais mostram uma trajetória de recuperação social:

  • Pobreza: Após atingir o pico de 52,9% no início de 2024, o índice caiu para 31% no primeiro semestre de 2025.

  • Investimento Social: O governo destaca que, enquanto cortou 27% das despesas gerais, os gastos com programas de transferência direta de renda subiram 43% em termos reais, focando na proteção dos setores mais vulneráveis durante a transição econômica.


O Que Esperar de 2026?

Com as contas em ordem, o governo Milei agora foca na “fase de crescimento”. Os próximos passos incluem:

  • Redução de Impostos: O ministro Caputo prometeu que o superávit permitirá continuar devolvendo recursos ao setor privado através de novos cortes tributários.

  • Novo Acordo com o FMI: A Argentina negocia um novo programa de desembolsos (estimado em US$ 20 bilhões) para reforçar as reservas do Banco Central e avançar para o fim total do controle cambial (cepo).

  • Crescimento do PIB: Projeções do FMI e de bancos internacionais apontam para um crescimento de 4,5% a 5,5% para o PIB argentino em 2026, impulsionado pelo setor de mineração, energia e agronegócio

Do Abismo à Estabilização

O encerramento de 2025 com as contas no azul é o sinal mais claro de que a economia argentina está, finalmente, deixando para trás décadas de desequilíbrio estrutural. A manutenção do superávit por dois anos consecutivos, aliada à queda drástica da inflação para o menor nível em oito anos, não apenas valida o plano de “déficit zero” de Javier Milei, mas também recupera a credibilidade internacional do país perante o FMI e investidores globais. O grande desafio para 2026 será converter essa austeridade fiscal em um crescimento sustentado que continue a retirar milhões de argentinos da pobreza e consolide o país como um porto seguro para o capital estrangeiro na América Latina.

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