A Queda de “El Mencho” e a Onda de Retaliação que Assombra a Copa de 2026
Por: Redação [Allocationbr] Cidade do México – 25 de Fevereiro de 2026
O México vive horas de extrema angústia. O que começou como uma operação cirúrgica de inteligência no último domingo (22) transformou-se em uma das maiores crises de segurança pública da história recente do país. A confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma onda de violência coordenada que paralisou cidades e colocou o governo de Claudia Sheinbaum sob prova de fogo.
A Operação em Tapalpa: O Fim de uma Era
Após anos de buscas e uma recompensa de US$ 10 milhões oferecida pelos Estados Unidos, o cerco finalmente se fechou em Tapalpa, Jalisco. Em uma ação conjunta entre a Secretaria de Defesa Nacional (SEDENA) e a Guarda Nacional, com suporte tático da inteligência americana, o esconderijo de Cervantes foi invadido.
A confirmação do óbito do “homem mais procurado do México” foi o gatilho para o chamado “Narcoterrorismo”. Em menos de duas horas após o anúncio, o estado de Jalisco — e posteriormente outros 10 estados — foram tomados por chamas e barricadas.
O Mapa da Crise: Narcobloqueios e Conflitos
A estratégia do CJNG foi rápida e devastadora. O objetivo: isolar as forças de segurança e demonstrar poder de fogo.
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Guadalajara e Zapopan: Veículos de carga e ônibus foram incendiados em avenidas principais, criando um cinturão de fogo que impediu o tráfego.
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Aeroportos: Tiros foram relatados nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guadalajara, causando pânico e a suspensão imediata de operações aéreas.
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Vítimas: Até o momento, o balanço oficial aponta 75 mortos. Entre eles, agentes da lei executados em emboscadas e civis pegos no fogo cruzado.
Sombra sobre a Copa do Mundo
O momento não poderia ser mais delicado. Com a Copa do Mundo da FIFA 2026 a poucos meses de distância, o mundo olha para o México com preocupação. Guadalajara é uma das sedes do torneio e o epicentro do atual conflito.
A presidente Claudia Sheinbaum, em pronunciamento oficial, reiterou que o Estado não recuará. “A justiça foi feita. O México é maior que qualquer grupo criminoso e garantiremos a segurança de todos os cidadãos e dos visitantes que virão para o Mundial”, afirmou. No entanto, o envio de 10 mil militares extras para a região sugere que a “normalização” prometida ainda está longe de ser alcançada.
O Fator Trump e a Geopolítica do Fentanil
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump aproveitou o episódio para reforçar sua retórica de “mão de ferro”. Embora tenha parabenizado as forças mexicanas, Trump voltou a mencionar a possibilidade de classificar os cartéis como organizações terroristas estrangeiras, o que permitiria intervenções militares diretas — um ponto de extrema fricção diplomática com o México.
O que esperar agora?
Especialistas em segurança alertam para o “Efeito Hidra”. Com a cabeça do CJNG cortada, o temor é que o cartel se fragmente em células menores e mais violentas, ou que cartéis rivais, como o de Sinaloa, iniciem uma guerra de invasão de território.
O México permanece em Código Vermelho. Escolas seguem fechadas em Jalisco e o comércio opera de portas semiabertas, enquanto a população aguarda para ver se a morte de El Mencho significa o fim de um capítulo ou o início de uma guerra civil ainda mais sangrenta.





