Mercado Financeiro em “Modo Espera”: Juros Altos e Recordes nos Metais Marcam o Pós-Natal
Com baixa liquidez devido ao feriado de Boxing Day no exterior, o mercado brasileiro foca nos dados de crédito do Banco Central e no novo salário mínimo, enquanto o ouro atinge patamares históricos globalmente.
O pregão desta sexta-feira (26) reflete o típico ritmo de fim de ano: volume de negociações reduzido e investidores ajustando posições para 2026. Enquanto as bolsas na Europa e em parte da Ásia permanecem fechadas pelo feriado de Boxing Day, o Brasil e os Estados Unidos operam tentando encontrar fôlego após as celebrações de Natal.
Brasil: Selic a 15% e o Peso no Crédito
O destaque do dia no cenário doméstico foi a divulgação das Estatísticas Monetárias e de Crédito pelo Banco Central. Os dados revelam um cenário desafiador para o consumidor:
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Juros no Topo: Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, os juros bancários atingiram o maior nível desde 2017. As taxas para famílias subiram, com o cartão de crédito rotativo chegando à marca alarmante de 440,5% ao ano.
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Novo Salário Mínimo: O governo confirmou o valor de R$ 1.621,00 para 2026. Embora represente um ganho para o trabalhador, o mercado monitora o impacto fiscal e a pressão inflacionária que o aumento pode gerar no próximo ano.
No Ibovespa, o clima é de cautela com a política no radar, operando em leve queda pela manhã, refletindo a falta de liquidez global e a ausência de grandes fluxos estrangeiros.
Global: O Brilho Recorde do Ouro e da Prata
Se as ações estão em ritmo lento, o mesmo não se pode dizer das commodities metálicas. O ouro e a prata estão vivendo um “Golden Year”.
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Ouro Histórico: O metal precioso ultrapassou os US$ 4.500 por onça, impulsionado pela busca por proteção contra incertezas geopolíticas e pela fraqueza do dólar em alguns pares globais.
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Prata em Alta: A prata superou os US$ 75 por onça, renovando máximas e atraindo investidores que buscam alternativas aos ativos de risco tradicionais.
Estados Unidos e Criptoativos
Em Wall Street, os índices operam próximos da estabilidade após renovarem recordes históricos na véspera de Natal. O otimismo ainda é alimentado pelo chamado “Rally de Papai Noel”, mas a cautela com a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed) para o primeiro trimestre de 2026 limita grandes saltos.
No mundo das criptomoedas, o Bitcoin (BTC) mantém sua resiliência, orbitando a casa dos US$ 88.500. Apesar de uma leve retração no volume, o ativo encerra 2025 como um dos grandes destaques de valorização do ano, mesmo com a concorrência das memecoins que surpreenderam o mercado nos últimos meses.
Perspectivas para a Virada do Ano
O mercado financeiro agora “cumpre tabela” até o último pregão do ano. A grande expectativa dos analistas é para o Boletim Focus da próxima segunda-feira, que trará as previsões finais para a inflação e o PIB de 2026.
Para o investidor comum, a mensagem é de diversificação. Com os juros brasileiros em patamares elevados, a renda fixa continua sendo o porto seguro, mas a valorização meteórica dos metais preciosos mostra que o mercado está se protegendo para um 2026 que promete ser volátil.



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