Protestos no México

Milhares protestam no México contra a presidente Claudia Sheinbaum em onda de insatisfação nacional.

Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado 22 de nov. de 2025 em diversas cidades mexicanas para protestar contra o governo da presidente Claudia Sheinbaum. A mobilização, marcada pela forte presença de jovens da chamada Geração Z, expôs uma crescente insatisfação popular diante da violência, da impunidade e das políticas de segurança pública adotadas pelo governo federal.

Assassinato de prefeito impulsiona revolta popular

O estopim do movimento foi o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Alberto Manzo Rodríguez, morto no início do mês durante as celebrações do Dia dos Mortos. Reconhecido por enfrentar o crime organizado na região, o político tornou-se símbolo da percepção de que o Estado falhou em oferecer segurança até mesmo a autoridades públicas.

O caso gerou indignação nacional e reacendeu debates sobre a escalada da violência. Para muitos jovens, o crime representou o limite de uma crise que não encontra resposta eficiente do governo.

Marcha toma pontos icônicos da Cidade do México

A manifestação teve início em locais simbólicos, como o Ângel da Independência, avançando até o Zócalo, onde fica o Palácio Nacional, sede do Executivo. O clima inicialmente pacífico ganhou contornos de tensão quando grupos mascarados derrubaram grades de proteção instaladas pelo governo.

As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo, o que intensificou confrontos. As autoridades informaram que cerca de 100 policiais ficaram feridos, além de vários manifestantes, e que houve prisões e detenções administrativas ao longo do protesto.

Acusações e disputas de narrativas

A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a mobilização teria sido impulsionada artificialmente por opositores políticos e por manipulação digital nas redes sociais. Segundo o governo, perfis recém-criados e estratégias coordenadas teriam ajudado a inflar a convocação da marcha.

Já participantes do movimento rejeitam a tese de manipulação e afirmam que as manifestações refletem um descontentamento genuíno com a insegurança, a corrupção e a sensação de abandono por parte das autoridades.

Simbolismo jovem e forte crítica à violência

Os protestos ficaram marcados por elementos estéticos característicos da cultura juvenil, como bandeiras pretas e símbolos inspirados em animações, reforçando a identidade da Geração Z — vista como protagonista do movimento.

Gritos de ordem em memória de Carlos Manzo denunciaram a impunidade e responsabilizaram o governo pela deterioração da segurança no país. A crítica central dos manifestantes é a mesma: o Estado teria perdido o controle sobre o crime organizado, expondo a população a riscos cada vez maiores.

Governo defende popularidade e reforça discurso de manipulação

Apesar do desgaste, a presidente Sheinbaum sustenta índices elevados de aprovação, o que seu governo aponta como prova de que as manifestações não representam a maioria da população. Integrantes da administração afirmam que a mobilização foi infiltrada por grupos radicais e organizada para manchar a imagem presidencial.

Nos dias que antecederam o protesto, o Palácio Nacional recebeu proteção reforçada, com barreiras metálicas e aumento do contingente policial.

Desdobramentos e impacto político

A onda de manifestações traz novos desafios para o governo Sheinbaum:

  • Pressão por políticas de segurança mais eficazes diante da escalada da violência.
  • Risco de polarização entre jovens críticos e apoiadores tradicionais do governo.
  • Amplificação internacional de um movimento que simboliza o descontentamento da juventude latino-americana com corrupção e impunidade.
  • Possível impacto político e eleitoral caso os protestos se tornem recorrentes.

A manifestação contra Claudia Sheinbaum mostra que uma parcela significativa da juventude mexicana não se sente representada pelo atual governo e exige mudanças profundas na segurança pública. Embora a presidente ainda mantenha apoio expressivo, o episódio revela uma tensão crescente entre o Estado e uma geração que cobra respostas rápidas e decisivas. A forma como o governo conduzirá esse conflito poderá definir o futuro de sua gestão e sua relação com a sociedade.

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