Coreia do Norte dispara mísseis hipersônicos antes de cúpula histórica em Pequim
O lançamento ocorre em um momento crítico, poucas horas antes da viagem do presidente sul-coreano Lee Jae-myung à China, sinalizando um desafio direto à diplomacia regional.
O ano de 2026 começou com o som de alarmes na península coreana. No último domingo (4), a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste de armamentos do ano, disparando múltiplos mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão (Mar do Leste). O timing da ação, no entanto, é o que mais preocupa a comunidade internacional: os disparos ocorreram poucas horas antes do presidente da Coreia do Sul embarcar para uma visita oficial à China.
O “Fator Surpresa” e a Tecnologia Hipersônica
Segundo relatórios do Estado-Maior Conjunto de Seul e do Ministério da Defesa japonês, os projéteis percorreram cerca de 900 km antes de caírem fora da zona econômica exclusiva do Japão.
A mídia estatal de Pyongyang (KCNA) confirmou posteriormente que os testes envolveram mísseis hipersônicos, uma tecnologia de ponta que permite aos projéteis manobrar em altas velocidades, tornando-os extremamente difíceis de interceptar pelos sistemas de defesa tradicionais.
Diplomacia sob Fogo Cruzado
A visita do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, a Pequim é a primeira de um líder do país em seis anos. O encontro com o governo chinês tem objetivos ambiciosos:
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Segurança Regional: Pedir que Pequim interceda para conter as ambições nucleares de Kim Jong-un.
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Economia: Revitalizar as trocas comerciais com o gigante asiático.
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Equilíbrio Geopolítico: Tentar suavizar a irritação chinesa quanto à crescente cooperação militar entre Seul, Tóquio e Washington.
“O lançamento não é apenas um teste técnico, é uma declaração política. Pyongyang está enviando um recado claro: qualquer acordo sobre a península coreana deve passar por eles, e não apenas entre Seul e Pequim”.
A Resposta Internacional
As reações foram imediatas e carregadas de preocupação:
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Coreia do Sul: O Conselho de Segurança Nacional condenou fortemente a “provocação imprudente”, mas manteve a agenda da viagem presidencial.
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Japão: O primeiro-ministro japonês classificou o ato como uma “ameaça direta e séria à paz regional”.
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Estados Unidos: O Departamento de Estado reiterou seu compromisso “férreo” com a defesa de seus aliados e pediu o retorno ao diálogo diplomático.
O Discurso de Pyongyang
Além dos testes, o governo de Kim Jong-un aproveitou o momento para elevar o tom contra o Ocidente. Em comunicados oficiais, a Coreia do Norte criticou a postura dos EUA em conflitos globais recentes e reafirmou que o desenvolvimento de seu arsenal nuclear é um “direito inalienável de autodefesa” contra a “hostilidade imperialista”.
O Que Esperar nos Próximos Dias?
A cúpula em Pequim continua sendo o centro das atenções. Se a China decidir endurecer o discurso contra a Coreia do Norte em resposta a esses lançamentos, poderemos ver um isolamento ainda maior de Pyongyang. Por outro lado, se Pequim mantiver a cautela, o governo de Kim Jong-un poderá se sentir encorajado a realizar novos testes, possivelmente elevando a escala para armamentos de longo alcance.
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